sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Feridas de Guerra




Quem por Olinda passa não percebe que ela possui uma ferida, que nenhuma outra grande cidade brasileira tem em sua história, a ferida da destruição.

Em 1631, os holandeses que invadiram Pernambuco um ano antes, determinam a desocupação da cidade, retiram-lhe tudo de útil para atear fogo a suas casas, prédios públicos e religiosos.

Naquela segunda-feira, 24 de novembro de 1631, Olinda arde em fogo.

Aquela cidade considerada a mais bela das Américas no século XVII, tem queimada suas lembranças e símbolos de quase um século de vida.

Nenhuma cidade brasileira passou por esta devastação proposital em função de uma ocupação militar invasora.

Gaspar Barleus, professor holandês designado para registrar os feitos da Companhia das Índias Ocidentais no Brasil, assim refere-se ao fato: “Desde que começaram, porém, a senhorear o Brasil os holandeses, subjugadores das terras e das águas, aprouve escolher-se o Recife e a Ilha de Antônio Vaz para sede do governo. Como que condenada pelo destino, arruinou-se a formosa Olinda, mostrando-se chorosa. As casas, os conventos e as igrejas, derribados, não pelo furor da guerra, mas de propósito, lagrimavam com a própria ruína.”

A coragem dos olindenses restaurou Olinda e o fogo que ainda arde na cidade é a chama exemplar de sua existência.

Quando andar pelas ruas da cidade, lembre-se que as pedras onde hoje pisamos foram colocadas sobre cinzas.

Viva Olinda Viva!

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