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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Olinda e o Cometa descoberto na Sé

 
O Cometa Olinda foi descoberto pelo astrônomo francês Emmanuel Liais, que estava a serviço do Observatório Imperial de Paris, no dia 26 de fevereiro de 1860.
Liais descobriu o cometa ao realizar observações no observatório do Alto da Sé, situado em Olinda, Pernambuco, Brasil.
Foi o primeiro cometa descoberto na América do Sul e até hoje é o único cometa descoberto em território brasileiro.

DADOS DO COMETA OLINDA:

 
• Outras denominações: 1860 I, C/1860 D1, Cometa de Liais
• Data da descoberta: 26 de fevereiro de 1860
• Descobridor: Emmanuel Liais
• Local da descoberta: Olinda, Pernambuco, Brasil
• Inclinação: 79º35’54’’5
• Declinação: -61 47
• Enlongamento: 86E
• Magnitude: 6.5

domingo, 18 de julho de 2010

Olinda, Capital Simbólica do Brasil



LEI Nº 12.286, DE 13 DE JULHO DE 2010.



Proclama Olinda a Capital Simbólica do Brasil e dá outras providências.



O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Em 27 de janeiro de cada ano, a cidade de Olinda, no Estado de Pernambuco, será reconhecida, durante esse dia, como a Capital Simbólica do Brasil.

Art. 2o A cada 50 (cinquenta) anos, durante as comemorações da Restauração Pernambucana e Nordestina, o Prefeito de Olinda e sua Câmara de Vereadores receberão os títulos simbólicos de Prefeito e Câmara de Vereadores Mor do Brasil.

Art. 3o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 13 de julho de 2010; 189o da Independência e 122o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Igrejas de Olinda: Catedral da Sé

Durante os primórdios da ocupação portuguesa em terras de Olinda, os conflitos com os índios eram constantes. Flechas atravessavam os europeus que trabalhavam nas plantações de cana e mandioca, ou quando iam buscar água para beber, muita gente morria todos os dias.

Num desses conflitos, a “torre” construída por Duarte Coelho Pereira para sua residência, foi longamente cercada, criando uma situação de desespero, pela carência de água e provisões.

Então o militar Vasco Fernandes de Lucena, com um galho na mão e rogando uma praga dos céus, na língua dos nativos, fez um marco na terra profetizando que dali nenhuma índio poderia passar sob pena de cair morto pela providência divina.

Diz a lenda que dois nativos tentaram passar pela linha e caíram mortos de forma misteriosa. Apavorados os índios caetés levantaram o cerco e fugiram para as matas distantes.

No local do risco, Duarte Coelho Pereira mandou erguer a portada da atual Igreja da Sé, começando ali, a construção da catedral da cidade.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A República é filha de Olinda


Como diz o Hino de Pernambuco, “A República é filha de Olinda”.


Jackson Cavalcanti Junior, historiador de nossa cidade, diz em texto:

“Foi no dia 10 de novembro de 1710, que Bernardo Vieira de Melo teria decretado a República de Olinda, nos moldes da República de Veneza. Esse acontecimento culminou na Guerra dos Mascates que durou até o ano de 1711. a Guerra dos Mascates, luta travada entre as cidades de Olinda e Recife, nos anos de 1710 e 1711, pelos pernambucanos proprietários de engenhos que viam com desconfiança a prosperidade de Recife, onde residiam os mascates, como eram designados os comerciantes portugueses, resultando forte animosidade. Para fugir à autoridade de Olinda, então sede da capitania, os recifenses solicitaram e obtiveram do reino a jurisdição própria da sua vila. Rebelaram-se os de Olinda, que, armados, se apoderaram de Recife, depondo o governador e nomeando para o cargo o bispo de Olinda. Depois de várias lutas, os ânimos foram serenados, conservando Recife, sua autonomia. Bernardo Vieira de Melo foi levado para Portugal, onde morreu anos depois. Foi o primeiro grito de República nas Américas, daí o feriado municipal.”

As marcas daquele 10 de novembro, ainda estão na cidade, em nome de rua e na designação carinhosa da Câmara de Vereadores de Olinda, a “Casa de Bernardo Vieira de Melo”.


Salve o 10 de novembro, Salve a República!!!!!
Sobre o fato histórico, vale a pena ler o artigo de Marieta Borges em seu Blog

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Foral de Olinda, a Herança dos olindenses



Um assunto no mínimo curioso é a cobrança do foro por parte da Prefeitura de Olinda nas áreas do Recife e outros municípios metropolitanos.

Algumas coisas devem ser esclarecidas. O Foral de Olinda é um documento com valor jurídico incontestável e vigente nos seus efeitos, assim foi declarado em diversas oportunidades pelo Poder Judiciário, em todas as instâncias em que foi contestado, inclusive no Supremo Tribunal Federal.

O Foral de Olinda sem duvida é a Norma Jurídica mais antiga em vigor no Brasil, desde 12 de março de 1537.

As terras ao qual a Prefeitura de Olinda cobra o foro, são de propriedade do povo de Olinda, desde a doação realizada por Duarte Coelho Pereira.

Essas terras são “Herança Patrimonial” do povo de Olinda, decorrente do nascimento da cidade, para sua manutenção, conforme destinou o fundador da Vila Marin.

Qual contestação pode ser feita para não pagar aos munícipes de Olinda seus direitos de herança?

Quem no Brasil abre mão de seu direito de herança, porque o documento de transmição da propriedade é antigo? Você conhece algum herdeiro que fez isso?

Sobre o assunto, vale a pena ler o artigo de Valéria Agra, coordenadora do Projeto Foral de Olinda.
http://dasolindastextos.blogspot.com/2009/10/foral-de-olinda-valeria-maria-agra.html

domingo, 30 de agosto de 2009

De Olinda à Olanda


Olinda , nos primórdios do Século XVII, era considerada a mais bela e faustuosa cidade das Américas. Na visão do frei Manuel Calado, autor de O Valeroso Lucideno "era Olinda um retrato do terreal paraíso".

A forma de vida de Olinda naquela época, foi marcadamente condenada pela igreja, principalmente quando da Primeira Visitação do Santo Ofício à então Vila (1593-1595), quando se considerou que grande parte da população vivia em "constante pecado".
Neste contexto de luxo e pecado, segundo a visão da igreja católica, uma passagem histórica ganhou conotações míticas, quando o então Comissário do Santo Ofício no Brasil, o frei dominicano Antônio Rosado, alarmado com o que considerava uma decadência dos costumes na rica e faustosa vila de Olinda, profetizou em sermão quaresmal, na Igreja de São Salvador do Mundo:

“Sem mais diferença do que uma só letra, está Olinda chamada por Olanda e por Olanda há de ser abrasada Olinda, onde tanto falta a justiça da terra, não tardará muito a do céu”

Antevisão ou praga de padre, a verdade é que em menos de um ano Olinda era invadida pelos holandeses tendo todo o seu esplendor jogado ao fogo pelos invasores em 1631.

sábado, 15 de agosto de 2009

Placa para o Capitão André Pereira Temudo












Em frente a Igreja da Misericórdia em Olinda, existe uma placa de pedra afixada em 1930, marcando o tricentenário da invasão holandesa.

“Aqui, no adro desta igreja, o Capitão André Pereira Temudo, seguido de um punhado de bravos pernambucanos, sacrificou heroicamente a sua vida, para vingar os ultrajes que faziam a pátria e a religião os criminosos invasores holandeses em 1630”.

O Capitão Temudo, governou o Rio Grande do Norte entre 1621 (18 de março) e 1623, foi o comandante das tropas de defesa que deram os primeiros tiros contra os holandeses nas margens do Rio Doce, quando já desembarcados em Pau Amarelo seguiam para o sul, objetivando conquistar Olinda.


Sobre esse fato histórico, diz Gilberto Freyre " O Capitão-de-linha André Pedro Temudo, diante da profanação que um troço de soldados holandeses estava praticando na Igreja da Misericordia, lançou-se contra eles de espada em punho e matou grande número de hereges até por sua vez cair morto."


A morte em combate, do indignado Capitão André Pereira Temudo, aos pés da Igreja da Misericórdia, foi o marco na rendição da cidade aos holandeses, naquele fevereiro de 1630.




sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Feridas de Guerra




Quem por Olinda passa não percebe que ela possui uma ferida, que nenhuma outra grande cidade brasileira tem em sua história, a ferida da destruição.

Em 1631, os holandeses que invadiram Pernambuco um ano antes, determinam a desocupação da cidade, retiram-lhe tudo de útil para atear fogo a suas casas, prédios públicos e religiosos.

Naquela segunda-feira, 24 de novembro de 1631, Olinda arde em fogo.

Aquela cidade considerada a mais bela das Américas no século XVII, tem queimada suas lembranças e símbolos de quase um século de vida.

Nenhuma cidade brasileira passou por esta devastação proposital em função de uma ocupação militar invasora.

Gaspar Barleus, professor holandês designado para registrar os feitos da Companhia das Índias Ocidentais no Brasil, assim refere-se ao fato: “Desde que começaram, porém, a senhorear o Brasil os holandeses, subjugadores das terras e das águas, aprouve escolher-se o Recife e a Ilha de Antônio Vaz para sede do governo. Como que condenada pelo destino, arruinou-se a formosa Olinda, mostrando-se chorosa. As casas, os conventos e as igrejas, derribados, não pelo furor da guerra, mas de propósito, lagrimavam com a própria ruína.”

A coragem dos olindenses restaurou Olinda e o fogo que ainda arde na cidade é a chama exemplar de sua existência.

Quando andar pelas ruas da cidade, lembre-se que as pedras onde hoje pisamos foram colocadas sobre cinzas.

Viva Olinda Viva!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Cogui


Não existe palavra mais olindense do que “Cogui”, ela significa forasteiro, quem é de fora, sendo pronunciada, pelos tradicionais olindenses, com um certo ar pejorativo, assemelhado-se com a palavra gringo.
Poderíamos dizer que Cogui é a palavra olindense para designar o forasteiro que não seja bem-vindo.
Segundo o Escritor Olímpio Bonald Neto, Cogui é uma corruptela de Incógnito, nascida da recepção, pouco amistosa, que recebiam os recifenses que se atrevessem à visitar moças de Olinda no inicio do século XX.
Olímpio conta que os rapazes da cidade, quando viam um recifense desembarcar no terminal do Bonde de Olinda, na praça do Carmo, com paletó engomado e sapatos impecáveis na graxa, ofereciam dinheiro as crianças para sujar os sapatos e jogar areia nas veste elegantes dos recifenses.
-Sujar quem senhor?, perguntavam as crianças, na vontade da trela.
-Aquele incógnito, respondiam os enciumados olindenses.
Nisso a meninada começou a abreviar Incógnito para Cogui, nascendo assim uma palavra genuinamente olindense.

terça-feira, 20 de maio de 2008

O FORAL DE OLINDA: A CERTIDÃO DE NASCIMENTO DA CIDADE



O dia 12 de março de 1537, marca a data do nascimento de Olinda, pela assinatura do Chamado FORAL DE OLINDA, que nada mais é que uma Carta de Doação feita pelo primeiro Donatário da Capitania de Pernambuco, Duarte Coelho Pereira de terras para que a administração da Vila pudesse manter os serviços públicos da época.

O Foral de 1537 não recebeu, por parte dos primeiros vereadores, o cuidado que requeria o documento original, portanto, em 1550, a Câmara solicitou ao donatário uma cópia do documento, a qual foi tirada do livro de tombo e matrícula da Capitania. Com a invasão holandesa em 1630 e o incêndio em 1631, o documento guardado no arquivo do conselho foi novamente perdido. Em 1654, após a restauração do domínio português em Pernambuco, o texto foi localizado no Mosteiro de São Bento de Olinda e dele foi realizado um traslado em 1672. Uma transcrição deste documento encontra-se sob a guarda do Arquivo Público Municipal Antonino Guimarães ( na Rua de São Bento).

Aqui, abaixo a integra do texto, que registrou o nascimento de nossa cidade.

TRASLADO DO FORAL DE OLINDA CARTA DE DOAÇÃO DE 12 DE MARÇO DE 1537

Duarte Coelho, Fidalgo da Casa de El-Rei Nosso Senhor, Capitão Governador destas Terras da Nova Luzitania por El-Rei Nosso Senhor.

No ano de 1537 deu e doou o senhor governador a esta sua Vila de Olinda, para seu serviço e de todo o seu povo, moradores e povoadores, as cousas seguintes: Os assentos deste monte e fraldas dele, para casaria e vivendas dos ditos moradores e povoadores, os quais lhes dá livres de foros o isentas de todo o direito para sempre, a as Varzeas das Vacas e de Beberibe e as que vão pelo caminho que vai para o Paço do governador, e isto para os que que não têm onde pastem os seus gados, e isto será nas campinas para pacigo, e as reboteiras de matos para roças a quem o conselho as arrendar, que estão das campinas para o alagadiço e para os mangues, com que confinam as terras dadas a Rodrigo Álvares e outras pessoas. O rossio que está defronte da Vila para o sul até o ribeiro e do ribeiro até a lombada do monte que jaz para os mangues do rio Beberibe, onde se ora faz o varadouro em que se corregeu a galeota, porque da lombada do monte para baixo para baixo, o qual o dito Senhor Governador alimpou para sua feitoria e assento dela, que é do montinho que está sobre o rio até o caminho do varadouro, e daí para cima todo o alto da lombada para os mangues será para casas e assentos de feitorias, até um pedaço de mato que deu a Bartolomeu Rodrigues, que está abaixo do caminho que vai para Todos os Santos. A ribeira do mar até o arrecife dos navios, com suas praias, até o varadouro da galeota, subindo pelo rio Beberibe arriba, até onde faz um esteiro que está detrás da roça de Brás Pires, conjunta com outra de Rodrigo Álvares, tudo isto será para serviço da Vila e povo dela, até cinqüenta braças do largo, do rio para dentro, para desembarcar e embarcar todo o serviço da Vila e povo dela, e daí para riba tudo que puder ser, demais dos mangues, pela várzea e pelo rio arriba é da serventia do Concelho. Outrossim, dali mesmo do varadouro rodeando pela praia ao longo do mar até onde sai o ribeiro de Val de Fontes, todo o mato dessa dita praia até cinqüenta braças adentro da terra, tudo será serventia e para serventia da Vila e povo, reservando que se não pode dar a pessoa alguma. E da dita ribeira sainte de Val de Fontes até o rio Doce, que se chama Paratibe, tudo será serventia do povo e Vila até as várzeas, que serão pouco mais ou menos duzentas braças de largo, da praia para dentro das várzeas, porque do rio doce para banda do norte fica com o termo de Santa Cruz outro tanto ao longo do mar, duzentas braças pela terra adentro, de arvoredo para madeira e lenha do povo da Vila de Santa cruz, assim como atrás conteúdo é para a Vila de Olinda. O Monte de Nossa Senhora do Monte, águas vertentes para toda a parte, tudo será para serviço da Vila e povo dela, tirando aquilo que se achar ser da casa de nossa senhora do monte, que é cem braças da casa ao redor de toda parte, e assim o Valinho que é da banda do nortee rodeia todo o monte pelo pé, até o caminho que vai da dita Vila para o Val de Fontes, para o curral velho das vacas, que tudo é da dita casa de Nossa senhora do Monte. E porque, por detrás do dito montinho, onde há de fazer o Senhor Governador a sua feitoria, até o varadouro da galeota, há de se abrir o rio Beberibe e lançar ao mar por entre as duas pontas de pedras, como tem assentado o Senhor Governador; entre o dito rio lançado novamente e as roças da banda de riba, de Paio Correia e da Senhora Dona Brites e o mato que está adiante, que ora é do Senhor Jerônimo de Albuquerque, há de ir uma rua de serventia ao longo do dito rio novo para serventia do povo, de que se possa servir de carros, que será de cinco ou seis braças de largo e rodeará pelo pé do montinho até o varadouro da galeota. Todas as fontes e ribeiras ao redor desta Vila dois tiros de besta são para serviço da dita Vila e povo dela; fa-las-a o povo alimpar e correger à sua custa. Todos os mangues ao redor desta Vila, que estão ao longo do rio Beberibe, assim para baixo como para cima, até onde tiver terra de arvoredo e roças ou fazendas pelo Senhor Governador, todos os ditos mangues serão para serviço da dita vila e povo . E assim os do rio dos Cedros e ilha e porto dos navios. Os varadouros que estão dentro do recife dos navios e os que estiverem pelo rio arriba dos Cedros e de Beberibee todo o varadouro que se achar ao redor da Vila e termo dela serão para o serviço seu e do seu povo. Isto foi assim dado e assentado pelo dito Governador e mandado a mim Escrivão que disto fizesse assento e foi assinado pelo dito governador a 12 de março de 1537 anos.

Fonte: COSTA, F. A. Pereira da. "Anais Pernambucanos", 2ª. edição, Fundarpe, Recife, 1983, vol. 1, pág. 187.